Eu achava que gostava de nadar, mas nunca aprendi e sempre afogava. Desisti. Passei a
interessar-me por pescaria e ainda hoje, de vez em quando, gosto de pescar. Mas não
sou bom pescador e não tenho nenhuma história pra contar, nem que seja de mentira.
Resolvi então andar a cavalo e levei alguns tombos. Mudei de fase. Comecei a soltar
pipas e papagaios e estou nessa até hoje, escrevendo e publicando livros presos a uma
linha de barbante. Houve um tempo em que eu me imaginava compositor e não um
poeta. Misturei tudo e acabei não sendo uma coisa nem outra, embora continue
escrevendo. Ganhei um violão e com ele pensava conquistar o mundo, como tinham
feito os Beatles, mas não passei dos primeiros acordes. Sempre fui e continuo sendo um
idealista, embora tenha perdido todas as certezas ao longo do caminho. Reconheço que
somos movidos a paixões, mas Sartre já advertia “que não é tarefa fácil amar alguém. É
preciso ter uma energia, uma curiosidade, uma cegueira... há até um momento, bem no
início, em que é preciso saltar por cima de um precipício: se refletimos, não o fazemos”.
E ele conclui dizendo que nunca mais saltaria. Compete a nós a decisão e a escolha
sobre todos esses pulos no escuro da vida. Em qualquer caso, resta-nos sempre a
literatura.
Milton Rezende, poeta e escritor, nasceu em Ervália (MG), em 23 de Setembro de 1962. Viveu parte da sua vida em Juiz de Fora (MG), onde foi estudante de Letras na UFJF. Funcionário público aposentado por Varginha (MG), morou em Campinas (SP) e atualmente reside em Ervália (MG).
Editora Sinete, 2024
Ebook, Kindle/Amazon, 2023
Ebook, Grupo Editorial Atlântico, 2022
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